Na avaliação da criação, homem e mulher, com suas semelhanças e diferenças, receberam um “muito bom” de Deus! Você concorda com Ele? Como criador, é prerrogativa Dele dar propósito às Suas criaturas. E, como lemos em Gênesis 1.28, Deus disse: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra!” Assim, fica claro a responsabilidade do ser humano – homem e mulher: cuidar da terra em que foram plantados e replicar a imagem de Deus através da reprodução.

Se você parar pra pensar, independentemente de religião, de maneira geral achamos estranho quem não quer ter filhos e quem não quer trabalhar. Comentários como “não é natural”, “que egoísta”, “que preguiçoso”, sempre aparecem, às vezes não tão velados. É como se algo dentro de nós nos guiasse em direção a estas escolhas. E isso faz todo o sentido, pois este é o propósito fundamental do ser humano, é parte essencial de como o homem pode glorificar a Deus. A outra parte do como glorificar a Deus se dá nos relacionamentos – uns com os outros e dentro de um relacionamento conjugal.

Não é preciso muito estudo bíblico para saber que Deus nos fez relacionais – está tudo ali em Gênesis 1-2, mas as Escrituras fazem questão de nos dar detalhes sobre este relacionamento criado por Deus: como proceder, quais as responsabilidades de cada um, pra que o casamento existe, o que está envolvido neste relacionamento. Ou seja, assim como a Trindade está em relacionamento entre si, assim estamos nós em compromisso um com o outro e com Deus, desenvolvendo dia a dia nossos relacionamentos à luz da Verdade.

O maior erro que cometemos quando falamos do homem e da mulher é achar que falar de função, de papel, tem a ver com o que fazemos. Mas não é bem assim. Enquanto papéis influenciam nossas ações, eles, na verdade, indicam a identidade, não a atitude. Isto quer dizer que não há uma lista bíblica de ações que o homem e a mulher devem fazer – nenhum lugar na Bíblia discrimina quem deve cozinhar, limpar, tirar o lixo, pagar as contas, cuidar do carro, etc. Mas há orientações bem claras de como devemos nos portar no nosso relacionamento homem-mulher.

Papéis nos ensinam quem somos, não o que fazemos. Deus sabe que quando estivermos seguras naquilo que Ele nos fez para ser, poderemos agir do jeito que Ele espera que ajamos. Mas este não é o meu objetivo hoje. Você pode ler mais sobre o relacionamento complementar entre homem e mulher aqui. Te recomendo a leitura deste texto, especialmente para entender os pressupostos a partir dos quais escrevo hoje.

Quero falar sobre a glória de ser mulher. Lemos por aí textos que realçam a força da mulher, sua resiliência, a sua dedicação à maternidade, seu potencial para o amor, etc. Muitos dizem que esta é a glória da mulher, a sua beleza. E não discordo que haja beleza e até certa glória em tudo isso. Mas as Escrituras pintam um quadro ainda mais bonito.

Portanto, sejam imitadores de Deus, como filhos amados, e vivam em amor, como também Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus. (…) Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo. Mulheres, sujeitem-se a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, que é o seu corpo, do qual ele é o Salvador. Assim como a igreja está sujeita a Cristo, também as mulheres estejam em tudo sujeitas a seus maridos. Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável. Da mesma forma, os maridos devem amar as suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo. Além do mais, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo, antes o alimenta e dele cuida, como também Cristo faz com a igreja, pois somos membros do seu corpo. “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne”. Este é um mistério profundo; refiro-me, porém, a Cristo e à igreja. Portanto, cada um de vocês também ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher trate o marido com todo o respeito. Efésios 5:1,2,21-33

Normalmente ao falar deste texto, pastores e escritores focam os papéis do homem e da mulher: o homem como o cabeça, a mulher como a auxiliadora; o homem deve amar a mulher, e a mulher deve se submeter e respeitar ao homem. Meu desejo hoje é focar em outro detalhe: a semelhança com Cristo.  

A coisa mais impressionante na criação do homem e da mulher para mim é a quantidade de aspectos de nossa humanidade que Deus relacionou consigo mesmo. Não apenas fez Deus o homem à sua imagem e semelhança, Ele também planejou o relacionamento entre o homem e a mulher para que fosse à imagem do relacionamento de Cristo com Sua igreja.

Para nós pode parecer que um veio depois do outro, mas lembre-se que Deus não está limitado ao tempo. Não foi ele mesmo quem disse que fomos eleitos antes da fundação do mundo (Ef 1.4)? Ou que Cristo, o Cordeiro sem mácula, já era conhecido antes da fundação do mundo, mas foi revelado apenas há dois mil anos atrás (1Pe 1.19-20)? Da mesma maneira, como diz John Piper em um dos meus sermões preferidos:

“Deus não olhou para sua criação e encontrou na masculinidade e na feminilidade uma comparação útil para o relacionamento entre Cristo e a Igreja. Ele nos criou, homem e mulher, precisamente para que pudéssemos demonstrar a glória do Seu Filho. Nossa sexualidade foi criada para a glória do Filho de Deus – especificamente a glória do Seu sacrifício para obter Sua admirável esposa. O propósito final da verdadeira feminilidade é um chamado distintivo da parte de Deus para exibir a glória de Seu Filho de maneiras que ela não seria exibida caso não houvesse feminilidade.” (1)

A mulher, então, ao se submeter ao seu marido, imita a Cristo em Sua atitude sacrificial. O homem, ao amar a Sua esposa, imita a Cristo em Sua atitude sacrificial. Assim como Cristo, que era submisso a Seu Pai, a mulher se submete ao seu marido. Assim como Cristo para com a Igreja, o homem ama a sua esposa como ao seu próprio corpo, a ponto de sacrificar-se por ela. Ambos glorificam a Deus quando buscam imitar a atitude de Cristo um para com o outro.

Há incomparável beleza neste texto, que muitas vezes é ofuscada numa luta de poder e visibilidade totalmente desnecessária. Deus não nos fez para sermos como os homens. Nossas diferenças têm um propósito. Como diz Abigail Dodds,

Mulheres acreditam que para ser relevante num mundo dominado por homens, é necessário se tornar como um homem, mas o contrário é verdadeiro. Você quer ser relevante? Choque o mundo e seja aquilo que você foi criada para ser: uma mulher temente a Deus, destemida e inabalável. Não abandone as diferenças que te tornam essencial.(2)

Como mulheres solteiras, somos tentadas a pensar que a submissão não se aplica a nós, no entanto, a submissão vai além de um relacionamento com o marido. Quando respeitamos nossos pais, quando honramos nossos chefes, quando servimos nossos amigos, estamos praticando a submissão. No versículo imediatamente anterior ao chamado à submissão ao marido, Paulo diz “Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo.” (Ef 5.21).  E isto é requerido à luz do que Cristo fez (Ef 5.1), à luz do Seu sacrifício.

Precisamos parar de temer a submissão como se isto significasse uma perda de identidade, capacidade ou poder de escolha. Submissão não é uma lista de tarefas, submissão não é omissão. Submissão é escolher exibir a glória de Cristo ao imitar Sua atitude perante o PaiPor isso a submissão é ferramenta poderosa no processo de conformarmo-nos à imagem de Cristo, especialmente porque é a escolha mais contrária às expectativas do mundo. Há beleza e propósito na submissão feminina.

Lembre-se também que a expectativa da submissão nos direciona na escolha de um marido. Da mesma maneira que Deus espera algo de todas as mulheres cristãs, Ele também tem expectativas claras para todos os maridos cristãos. Assim, se casarmos com um homem impiedoso, não-cristão, não podemos esperar que ele se submeta à vontade de Deus e nos ame como Cristo ama sua igreja. Mas se casarmos com um homem cujo coração é submisso a Deus, não precisaremos temer submetermo-nos a ele.

Encerro com as palavras de conforto e encorajamento que encontrei ao pesquisar para escrever este texto:

“Deus nos criou para glória, mulheres. Não uma glória que se encerra em nós, mas glória que se despende em glorificar tudo aquilo dado a nós e em apontar todas as coisas para Cristo, que é o resplendor da Glória de Deus, o Salvador, aquele que nos transforma. Enquanto O contemplamos, Sua perfeição, Sua obra salvífica, Sua gloriosa face, somos transformadas de glória em glória.” (3)

(1) John Piper. The Ultimate Meaning of True Womanhood. Disponível em: http://www.desiringgod.org/messages/the-ultimate-meaning-of-true-womanhood

(2)(3) Abigail Dodds. The Beauty of Womanhood – Her Uniqueness Makes Her Essential. Disponível em: http://www.desiringgod.org/articles/the-beauty-of-womanhood