Namoro e casamento são sempre temas muito procurados e estão entre os mais lidos no nosso blog. Além do assunto naturalmente chamar atenção, já ouvi pessoas dizerem que escolher a pessoa com quem vamos nos casar é a segunda decisão mais importante da nossa vida (sendo a primeira, claro, a decisão por seguir a Cristo). Até certo ponto isso é verdade, pois de fato escolher alguém para passar o resto da vida junto não é algo trivial. Mas não seria mais interessante descobrir primeiro sua vocação em Cristo (tema da semana passada), para depois poder olhar para alguém e fazer planos pelo resto da vida? Eu acredito que sim. Acredito que quando casamos com alguém que compreende e até mesmo compartilha da mesma vocação, temos a oportunidade de fazer mais para o Reino. Claro que isso não é uma regra, nem estou afirmando que você tem que terminar a faculdade antes de casar. Mas garanto que se você entrar no casamento sem saber seu papel no Reino de Deus, as coisas podem ficar um pouco mais complicadas pra você. Deixe-me compartilhar minha história e como aprendi esse princípio.

A ESPERA

Já compartilhei com vocês o namoro precoce que tive na adolescência, que aconteceu concomitante à minha conversão em Cristo (caso queira, volte ao primeiro artigo da série, intitulado “Minha identidade” para ler mais sobre isso). Depois de entender que Deus não queria que eu namorasse simplesmente um “cara legal”, ou “atencioso e amoroso”, mas sim um Filho dEle, entendi também que o propósito do namoro era preparar para o casamento. Por isso, decidi que só namoraria alguém se visse a chance de me casar em alguns anos.

Isso não quer dizer que simplesmente desliguei o botãozinho do coração e passei quase dez anos sem pensar em ninguém, ou sem ter sentimentos e desejos até os 24, quando me casei. Seria muita hipocrisia dizer isso, quando na verdade foram anos muito difíceis nessa área. O fato de eu ter começado a namorar muito cedo, e me envolvido com promiscuidades das mais diversas, despertou em mim muitas áreas que deveriam ter ficado adormecidas por mais tempo. Tenho memórias que eu poderia tranquilamente ter vivido sem. Mas a graça de Deus superabundou mais uma vez! Foi nessa época que eu aprendi a lutar e venci a tentação da masturbação, e louvo a Deus por isso (se por acaso  você tem dúvidas sobre a masturbação ser mesmo pecado, convido você a pensar no propósito de Deus para o sexo: dar ao cônjuge prazer – o sexo é outrocêntrico – e desfrutar da geração da vida – procriação; agora responda: a masturbação cumpre algum desses dois propósitos? Obviamente, não! Trata-se de busca por prazer egoísta e treina o coração para buscar o mesmo depois, no casamento). Veja o que Paulo fala sobre isso, na primeira carta aos Tessalonicenses: 

A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual. Cada um saiba controlar o próprio corpo de maneira santa e honrosa, não com a paixão de desejo desenfreado, como os pagãos que desconhecem a Deus.” (1 Ts 4:3-5) Se existe ordem mais clara, desconheço!

Para vencer essas lutas passei principalmente a avaliar bem um filme ou série antes de assisti-lo, garantindo que alguma cena não levaria minha mente novamente à escravidão. Aliás, você coloca algum filtro nas séries e filmes que assiste? Creio que um dos principais problemas das garotas hoje não seja somente a promiscuidade ensinada neles, mas também a romantização dos relacionamentos e a efeminação dos homens, que aparecem como tolos babando por uma mulher, como o Edward de Crepúsculo, ou Jack em Titanic. Acontece que os homens e os relacionamentos da vida real são bem diferentes dos da ficção, e quando somos doutrinadas por esses filmes água-com-açúcar acabamos envolvidas em relacionamentos totalmente baseados em paixão, ou seduzidas por expectativas irreais e muito frustradas com os homens reais. Tome cuidado com isso!

COM QUEM SERÁ?

A adolescência passou e logo eu estava chegando aos 20. Eu tinha passado todos aqueles anos tentando não pensar muito nisso e seguindo o conselho que tantas pessoas me deram de aproveitar a solteirice para Deus. Aliás, esse foi um ótimo conselho! Nessa época eu já tinha feito muitas viagens missionárias e estava na segunda faculdade, agora estudando educação. Mas quando fiz 20, algo começou a me incomodar muito: a falta de perspectiva de um casamento. Talvez você já tenha passado por isso. Eu queria me casar, ter uma família. Muitas de minhas amigas já estavam namorando há tempos, algumas até noivando e eu, nada. Ficava fazendo as contas de quantos anos ainda levaria para conhecer alguém, namorar, noivar, casar…parecia uma eternidade! E assim foi nascendo uma raiz de autocomiseração em meu coração: será que Deus não queria que eu casasse? Será que tinha algo errado comigo? O que eu estava fazendo de errado?

UM NAMORO MAL SUCEDIDO

Enquanto esses pensamentos mentirosos dominavam minha mente e meu coração, de repente um grande amigo do passado, que tinha se convertido na mesma época que eu e depois tinha se mudado de cidade, voltou à minha cidade para passar um tempo. Ele tinha uma conversa boa e tínhamos muitas coisas do passado em comum. De repente eu estava mais do que depressa entregando meu coração a alguém que ainda não era meu marido. Foi questão de semanas para começarmos a namorar e questão de meses para terminarmos. Tudo foi rápido e atropelado, movido por um sentimento de urgência e idolatria, que muitas vezes chamamos de paixão. Mas veja esse versículo (o qual infelizmente só dei ouvidos muito tempo depois): “A loucura é mulher apaixonada, é ignorante e não sabe coisa alguma.” (Pv 9:13). Por que a loucura é comparada a uma mulher apaixonada? Porque as duas são “ignorantes e não sabem coisa alguma”. Quando estamos apaixonadas, tomamos decisões apressadas, equivocadas e movidas por impulso, às quais normalmente nos arrependemos depois. Deus não nos chama a uma vida de impulsividade, ciúmes e nem à tolice, pelo contrário, ele diz que o amor verdadeiro “…é paciente, é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1 Coríntios 13:4-7) Que contraste! 

Infelizmente, mesmo sendo crentes, vivemos um relacionamento muito imaturo, totalmente contrário ao texto bíblico. Eu era constantemente tomada por ciúmes, brigávamos muito quando estávamos distantes. Quando estávamos juntos, então, movidos pelo sentimentalismo, avançávamos cada vez mais o sinal no contato físico e chegávamos mais e mais perto do sexo. Lembra do texto de Tessalonicenses que citei quando falamos sobre masturbação? Pois é, ele continua, veja o que ele diz:

A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual. Cada um saiba controlar o próprio corpo de maneira santa e honrosa, não com a paixão de desejo desenfreado, como os pagãos que desconhecem a Deus. Neste assunto, ninguém prejudique a seu irmão nem dele se aproveite. O Senhor castigará todas essas práticas, como já lhes dissemos e asseguramos. Porque Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade. Portanto, aquele que rejeita estas coisas não está rejeitando o homem, mas a Deus, que lhes dá o seu Espírito Santo.” (1 Tessalonicenses 4:3-8)

Quando o namoro acabou, eu estava destruída por dentro. Eu tinha criado tantas expectativas, elevado aquele garoto em um altar no meu coração e ao mesmo tempo entregado tanto de mim, que quando terminou, me senti não só rejeitada, mas também culpada por não ter ouvido o Senhor que tantas vezes me alertou durante o processo. Uma amiga já tinha lido para mim o versículo de Provérbios 4:23 “Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida”, e outra tinha compartilhado comigo o texto de Cânticos 8:4: “Mulheres de Jerusalém, eu as faço jurar: Não despertem nem incomodem o amor enquanto ele não o quiser.” Mas eu não dei ouvidos. Fui como a loucura, entreguei meu coração antes do tempo e despertei aquilo que deveria ter sido acordado somente depois do casamento.

O CARA CERTO PRA VOCÊ: AQUELE QUE AMA MAIS A DEUS DO QUE A VOCÊ

Alguns meses se passaram, Deus foi restaurando meu coração e me ensinando que eu precisava me lembrar das primeiras coisas: o Reino de Deus! Foram muitas lágrimas, textos bíblicos, cafés com amigas cristãs e aconselhamentos com líderes até eu entender a preciosa lição que Deus estava me ensinando ali. Acredito que duas coisas ficaram claras para mim depois dessa experiência: a primeira, foi entender que não bastava namorar alguém cristão, mas tinha que ser alguém mais maduro que eu, que colocasse minha santidade em primeiro lugar, antes mesmo do seu próprio prazer. A segunda, foi entender que eu nunca poderia colocar algum homem no lugar de Deus em meu coração, pois eu sempre me frustraria e desagradaria a Deus se fizesse isso. Deus nunca planejou o casamento para ser um substituto para Ele, ao contrário, o casamento deveria me tornar ainda mais próxima de Deus. Se não fosse assim, seria melhor ficar solteira.

Continuei com meus planos de ministério, e a essa altura sonhava em mudar para o interior do nordeste depois de me formar na faculdade, para fazer parte de um projeto missionário que minha igreja estava criando. Iria trabalhar com educação e evangelismo ao mesmo tempo, o projeto era grande e tinha muitas maneiras pelas quais eu poderia contribuir com as habilidades que Deus estava me ensinando.

Foi quando eu estava nessa fase de fazer planos para o futuro, que algo curioso começou a acontecer: vários amigos começaram a falar de um carinha do seminário que também iria para o interior do nordeste. Falavam que nós combinávamos muito, que tínhamos o mesmo envolvimento com educação, gostávamos das mesmas coisas, etc. Só faltava nos conhecermos (rs).

No início confesso que achei um pouco desconfortável essa ideia de ser algo “arranjado”. Mas depois de finalmente conhecer o “carinha”, confesso que entendi o que as pessoas viam em nós. Dessa vez, o relacionamento foi bem diferente do anterior. Ele se aproximou e depois de alguns meses conversando, disse mais ou menos com essas palavras: “Olha, eu não estou apaixonado por você, mas estou achando você muito interessante. Nós temos os mesmos interesses no Reino e se você topar, queria propor para que orássemos sobre ter um relacionamento no futuro”. Essa posição me deu segurança para saber no que eu estava me envolvendo e, ao mesmo tempo, deixar o sentimentalismo mais de lado, pensar com mais clareza sobre a situação. 

Oramos juntos por alguns meses, estudamos juntos sobre um relacionamento que agradaria a Deus e ele propôs que nosso namoro e noivado fosse um cortejo, ou seja, sem beijinhos, abraços e amassos. Se você se interessa por esse assunto de “namoro corte”, sugiro que leia um artigo que já escrevi no blog sobre esse tema específico. De início, foi estranho pensar em namorar sem esse contato físico, mas pensando sobre minha experiência anterior, percebi que poderia ser uma proteção nesse sentido, para nós dois. E assim namoramos, noivamos e casamos. O processo todo levou pouco menos de 3 anos.

UMA SÓ CARNE

Hoje, casada com um homem maravilhoso e, claro, pecador também, tenho vividos novos desafios, mas também tenho desfrutado de muita graça e alegria em Deus. Nós realmente nos mudamos para o interior do nordeste, embora não para trabalhar naquela missão que eu pensava antes, mas para servir em uma comunidade local no Piauí. Aqui, meu marido faz parte da equipe pastoral e com o apoio da igreja fundamos uma escola de Educação Cristã Clássica, que vai completar 3 anos de existência esse ano. Juntos, nós trabalhamos para traduzir materiais da filosofia clássica para o contexto brasileiro e já lançamos vários deles. Juntos, nós construímos uma comunidade de divulgação da ECC através da página Tutor Clássico e ajudamos diversas famílias na educação de seus filhos, apoiando o movimento de Educação Domiciliar. Juntos, e com uma missão só, nossa família busca expandir o Reino de Deus através da educação cristã. Como é bom servir a Deus como uma só carne e em uma só missão!

Espero que esse artigo tenha encorajado você a buscar santidade, a entender que sua vocação tem tudo a ver com seu casamento e, principalmente a perceber que o casamento e o verdadeiro amor não nascem em um solo de sentimentos floridos e borboletas no estômago, mas no solo do compromisso racional. Não é a paixão que deveria levar dois crentes a se comprometerem em aliança perpétua, mas sim o amor verdadeiro, que não vem de nós, mas de Cristo, que nos amou primeiro (1 João 4:19) e que é totalmente baseado na decisão de colocar Deus em primeiro lugar e a santidade do outro como consequência. Casar é muito bom, mas “casar errado”, como dizem por aí, traz implicações imensuravelmente dolorosas. Espero que você não tenha que passar por isso!

Na semana que vem, em nosso último artigo da série, vamos falar sobre o maior legado que podemos deixar para o mundo e vou contar sobre como Deus tem me transformado em mãe. Deus abençoe sua vida!

 

 

 ¹ Para saber mais sobre isso, leia nossa série sobre sexualidade.

 ² Leia em http://conselhosparameninas.blog.br/blog/aleatorios/namoro-corte-quebrando-o-tabu/ 

³ Se tiver interesse em Educação Cristã Clássica, entre em https://classicalpress.com.br/